Via Symbolica

“Confitebor tibi in ecclesia magna, in populo forte laudabo te.” (*)

As águas turvas se erguem à minha Direita
Enquanto chove sobre as pernas do Caçador.
Um Cão se alvoroça, do valente à espreita,
Sob o olhar do Corvo e do Galo, o cantador.

Onde estão minhas armas? Derretidas.
Meu tórax está cozido ao meio-dia.
Não temo as brasas insandecidas
Nem o clamor da Barca, jamais vazia.

Esta aflição é atroz e real, eu sei:
As ânforas se rompem, transbordantes,
Enquanto estendo às mãos aflitas ao Rei.
“Firma-me nas tuas fibras fulgurantes!”

As lâmpadas variantes se escondem de mim,
Conspirando, contorcendo-se, vacilando.
Apenas Selene enfrenta, em cor de jasmim,
A altura da colina, ao meu comando.

O Sangue jorra quente junto ao Viajante,
É o que vejo nos caminhos do delírio.
O Tempo não para, a Justiça vigilante,
A ferida sara mediante o martírio.

A semente é lançada na escuridão,
Na soleira da Porta da Vida que nasce;
Ao sucumbir à Morte, nesta missão,
Acordo para o teu Dia, ante tua Face.

(*) Salmos XXXV, 18.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s