Via Symbolica

“Confitebor tibi in ecclesia magna, in populo forte laudabo te.” (*)

As águas turvas se erguem à minha Direita
Enquanto chove sobre as pernas do Caçador.
Um Cão se alvoroça, do valente à espreita,
Sob o olhar do Corvo e do Galo, o cantador.

Onde estão minhas armas? Derretidas.
Meu tórax está cozido ao meio-dia.
Não temo as brasas insandecidas
Nem o clamor da Barca, jamais vazia.

Esta aflição é atroz e real, eu sei:
As ânforas se rompem, transbordantes,
Enquanto estendo às mãos aflitas ao Rei.
“Firma-me nas tuas fibras fulgurantes!”

As lâmpadas variantes se escondem de mim,
Conspirando, contorcendo-se, vacilando.
Apenas Selene enfrenta, em cor de jasmim,
A altura da colina, ao meu comando.

O Sangue jorra quente junto ao Viajante,
É o que vejo nos caminhos do delírio.
O Tempo não para, a Justiça vigilante,
A ferida sara mediante o martírio.

A semente é lançada na escuridão,
Na soleira da Porta da Vida que nasce;
Ao sucumbir à Morte, nesta missão,
Acordo para o teu Dia, ante tua Face.

(*) Salmos XXXV, 18.

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Publicado por

Júlio [Ebrael]

Brazilian. Amateur poet. Conservative and Gnostic Christian. Permanently unmarried, not disposable. // Brasileiro. Poeta amador. Conservador e cristão de visão gnóstica. Permanentemente solteiro, não disponível.//

2 comentários em “Via Symbolica”

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