Quem avisa, amigo é! Ou não…

Quem avisa, amigo é.
Ou pode ser que não,
Não seja um amigo
Que, lascivo, te alisa,
Mas uma astuta serpente
Que, sobre seu umbigo,
Esquiva-se, desliza.

Quem te alerta, aflito,
A ficar nas frias noites
Sempre aqui, agora, comigo,
Nesse leito da mente lisa,
Te anuncia mais açoites
Que, sôfrego, persigo,
E que a vara sinaliza.

Não me cutuque, moça,
Com esses olhos pedintes,
Como os de um mendigo.
Minha vil piedade pisa
Na santa fome com requintes
De crueldade, e contigo,
Chupa o sangue da pitonisa.

Ah, quão imberbes
São essas desvirginadas,
Das quais debulho o trigo!
Isolda, Guinevere, Adalgisa,
E quantas mais esfomeadas
Vagam em tão grande perigo,
Sem haver sequer uma poetisa.

Arrumo tudo e organizo:
Faço-te sentar à mesa
E te dou doce de figo.
Explico-te: o mais amigo
Não é quem te faz princesa;
Mas quem, saindo à francesa,
Vela por ti, sendo inimigo.

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