O Tempo não para!

O tom incisivo, ácido e revelador da letra nos abre a cena em que um nativo de Escorpiano joga em riste de seus vis oponentes sua própria indignação misturada a um triunfalismo de quem conhece os ciclos da Vida e sabe que o “porrete que bate em Chico, bate em Francisco”.

A tua piscina tá cheia de ratos,
Tuas ideias não correspondem aos fatos,
O Tempo não para!
Eu vejo o futuro repetindo o passado,
Eu vejo um museu de grandes novidades,
O Tempo não para!
Não para, não, não para!

Escorpião distingue da Realidade a histeria inerente aos que se apegam às suas vãs ilusões, aos seus ídolos fabricados, às suas desculpas esfarrapadas. É sintomática a doença coletiva que tomou conta da sociedade. É hora de acordar, mas a grande massa se recusa a abrir os olhos.

Na segunda parte, há a reafirmação da ciclicidade da Vida, ao passo que o que é efêmero se estende por tempo indefinido, o que é fútil está cheio de formol, a começar pelos cabelos femininos tornados em depósitos ambulantes de compostos de amônia. As múmias vivem, e agora andam entre nós cobertas de blush e sombras nas órbitas.

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